Mais obsceno do que Miller. Mais violento do que Hemingway. Mais imprevisível do que Allen Ginsberg. O álcool e as mulheres, a paixão dos cavalos e o fascínio pelos ladrões, pelos violadores e pelos marginais em geral, a sua desenfreada vontade de viver, tudo contado num estilo directíssimo, quase oral, cru e desinibido — eis o que fez de Bukowski um dos escritores mais jovens e singulares do novo romance americano e, na opinião de alguns, um dos grandes escritores do nosso tempo.
Dezassete mulheres perpassam neste livro. Quase todas jovens e belas. E todas participantes da inesgotável sucessão de episódios, grotescos uns, violentos outros, e outros ainda de uma transbordante ternura, que Bukowski descreve em tom marcadamente realista, apenas temperado pela ironia e pela sua tendência para a prática dos aforismos. E, contudo, o tema desta história não são as mulheres mas o próprio Bukowski (ou o seu alter-ego Henry Chinaski), aqui apresentado na maturidade dos seus cinquenta anos, já com algum sucesso como escritor, e rodeado de uma perigosa galeria de mulheres. Um homem com poucas ilusões a seu próprio respeito, desejoso de exibir dúvidas e convicções perante um público que, não raras vezes, apenas parece capaz de apreciar a máscara obscena do escritor e da obra.
(1978)
Editora: Dom Quixote, 1985
Tradução: Fernando Luís
Medidas: 15 x 22,5 cm
Peso: 377.00
Páginas: 292
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