"Poucos autores haverá onde, como em Walter Benjamin, o primado do fragmentário sobre o sistemático seja tão constante: a sua obra é um mosaico aparentemente desordenado cujo sentido tem de ser reconstruído pelo leitor. Interessava-lhe o marginal, o fora de moda, o levemente anacrónico, citações, evocações que permitissem «pré-historiar» a modernidade, detectar sintomas remotos da praxis colectiva actual, libertar «o passado oprimido». A sua perspectiva de Baudelaire é a do poeta «nos esplendores do capitalismo», o seu estudo sobre Kafka procura traçar o contorno evanescente de «uma fantasmagoria em busca de objectividade». A obra fragmentada de Benjamin coincide com a sua vida de judeu alemão, também fragmentada por uma longa série de exílios e pelo suicídio (para não cair em garras nazis), na fronteira hispano-francesa, em Setembro de 1940. Essa conjunção entre carácter e destino transformaria quase todos os seus textos numa espécie de esconjuros: «Cada um dos meus pensamentos deve ser arrancado a um âmbito onde reina a demência»..." da introdução de Ernesto Sampaio.
(1934)
Editora: Hiena, 1994
Tradução: Ernesto Sampaio
Medidas: 14,6 x 20,5 cm
Peso: 124.00
Páginas: 67
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