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| 2020-02-09, 11:36 PM | |
Quarenta jovens (mas de só uma dúzia mais? menos? — ouvimos a voz) prestam as suas provas, comentando um texto, sob a vigilância do professor, também jovem, de resto. Não só. Porque, tanto para os alunos como para o professor, o mundo não deixou de existir (aquele exame é um simples parêntesis), e esse mundo que ficou lá fora vem ter com eles através das janelas, transforma-se ele próprio num texto (o tal livro da natureza de que falava Galileo), exige também um comentário. Então, indiferenciadamente, os dois textos a comentar (o do exame e o do mundo) interpenetram-se. E certas personagens, não todas, passam pela crise de concluir que ambos os textos são incompreensíveis, e mais: que até o texto que elas estão a escrever é incompreensível. E às duas por três suspeitamos que o texto a comentar não é já o do exame ali referido nem sequer o do mundo daquelas personagens, mas este mesmo que nós — eu, tu, leitores do romance — temos nas nossas mãos, seguimos com os nossos olhos. Quer dizer: suspeitamos que é a nós que a Autora se dirige ao chamar ao livro Comente o seguinte texto:. Um romance rico, bem imaginado, que nos fala de muitas coisas, que nos conta até uma história de amor, que fundamentalmente se centra sobre a necessidade de compreendermos (comentar é compreender) o dia-a-dia que vamos vivendo. Um livro rico, acrescentarei, para quem souber comentá-lo ou, se quiserem, para quem souber vivê-lo plenamente, souber que a reflexão sobre a vida faz parte da vida. Augusto Abelaira
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| Categoria: Literatura Portuguesa | |