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| 2020-02-11, 8:45 PM | |
"Com esforço venceu a íngreme ladeira, impelindo à sua frente, os músculos intumescidos sob a camisola de algodão, o triciclo carregado de fruta. Parou à porta do páteo, a descansar, e limpou o suor do rosto com o lenço sebento. Em baixo, para além do casario de telhados vermelhos, via-se o rio de águas quietas, doiradas pelos últimos raios de sol. «Que raio de vida!» Pensou, com desagrado, desviando os olhos das ameixas maduras. — «Não ganhei hoje p'ra bucha...» Encostou o triciclo ao passeio, a roda apoiada no rebordo como num calço, a retardar o momento desagradável de entrar em casa. «Que diabo terá feito a mulher p'ró jantar, se não deixei um tostão?» — Interrogou-se, desanimado. Os tempos iam maus, o dinheiro fugido do bolso dos pobres. Mas, nessa manhã, o azar perseguira-o encarniçadamente..."
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| Categoria: Literatura Portuguesa | |